Juízas debatem violência doméstica com jovens da Maré no Museu da Justiça
Notícia publicada por Assessoria de Imprensa em 27/05/2022 19:13

Uma roda de conversa promovida pelo Museu da Justiça do Rio com juízas das varas de Violência contra a Mulher e das varas de Infância, Juventude e Idoso reuniu magistradas e adolescentes participantes do Projeto Uerê, da professora Yvonne Bezerra de Mello, que também participou do evento. O objetivo foi levar conscientização a respeito da questão da violência contra a mulher aos jovens do projeto, que funciona no Complexo da Maré, o maior conjunto de favelas do Rio de Janeiro, na Zona Norte da cidade.

“As mulheres são submetidas a constrangimento ao longo de toda a sua vida. É com informação e educação que conseguiremos reverter esse quadro”, afirmou a juíza Adriana Ramos de Mello, do I Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Tribunal de Justiça do Rio.

A juíza Juliana Cardoso, da 2ª Vara Criminal de Itaboraí e do Juizado de Violência Doméstica e Família Adjunto, lembrou que, muitas vezes, o próprio lar não é um lugar seguro para as meninas, como deveria ser. “Nesse caso, vocês precisam saber que têm onde buscar ajuda”, enfatizou.

“É na Vara da Infância, Juventude e Idoso que muitas vezes esses casos vão parar”, lembrou a juíza Juliane Beyruth, da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso de São Gonçalo, que foi acompanhada de sua auxiliar, a juíza Cristina Quinto.

A professora Yvonne Bezerra de Mello também chamou a atenção para a importância da educação e, principalmente, da formação de meninos e meninas e lembrou sobre a necessidade de termos consciência na hora de votar. “Tudo isso é ensinado no nosso projeto, que já dura 24 anos. Precisamos conscientizar os alunos desde cedo se quisermos que nossa sociedade melhore”, afirmou.

Yvonne explicou que o Projeto possui uma metodologia de ensino própria, sendo voltado para crianças e jovens da rede pública de ensino com bloqueios cognitivos e emocionais devido à exposição constante a traumas e à violência.

Ao final da mesa de debates, algumas adolescentes deram depoimentos sobre situações de violência pelas quais passaram e todos receberam uma cartilha sobre violência doméstica.

O evento terminou com uma visita guiada pela exposição Presenças Invisíveis, com intervenções feitas por mulheres vítimas de violência doméstica, realizada pela a curadora da exposição, a artista plástica Isabela Francisco.