Adolescentes da Central de Aprendizagem da Corregedoria visitam o AquaRio
Notícia publicada por Assessoria de Imprensa em 22/10/2018 20:13

O jovem X., de 16 anos, leva duas horas de Belford Roxo ao Tribunal de Justiça, no Centro do Rio. Apesar da distância, ele não perde uma aula do curso de preparação para o mercado de trabalho que a Corregedoria Geral da Justiça, em parceria com a Amil e o Instituto Ser Mais, está oferecendo para a primeira turma de adolescentes cadastrados na Central de Aprendizagem. Na última sexta-feira (19/10), eles tiveram uma experiência diferente: visitaram o AquaRio e se encantaram com as belezas da vida submarina.

 

- Eu só conhecia (o AquaRio) pela internet. Sempre achei muito legal, mas não imaginei que poderia vir aqui – disse X., empolgado com o passeio. O adolescente era um dos mais atentos às explicações da bióloga que guiou a visita. A palavra mais ouvida foi “legal” e os olhos brilhando da garotada mostrava como eles estavam gostando de tudo. Nos intervalos entre uma explicação e outra, muitas fotos e selfies feitas com os celulares.

Para a coordenadora de projetos do Instituto Ser Mais, Simone Masson, passeios assim são importantes para que eles percebam que podem usufruir de qualquer espaço público:

- Proporcionar essa experiência é dizer sim, é possível. Dessa forma, eles começam a pensar lá na frente, como é que eu acesso os melhores lugares? Tendo melhores oportunidades – ressalta Simone.

O passeio ao AquaRio será tema de uma redação que eles terão que entregar durante as aulas. No final do curso, em novembro, farão também um projeto cultural cujo tema foi escolhido pela turma: o hip hop, que, segundo eles, é a voz da periferia.

- Eu só gosto de rap antigo. Hoje em dia, o pessoal fala sobre crime e dinheiro e acha que está bom. O rap antigo fala a verdade, fala sobre como sofremos com a violência, com o desemprego e como as pessoas nas periferias não são bem vistas porque moram em favela. Atualmente, as letras só falam de bandido, como se só tivesse isso nas favelas. O rapper antes era a voz da periferia, quando as pessoas não tinham voz – pondera o adolescente Y., de 17 anos, entusiasmado com o projeto de final do curso.

 

Preparação para o mercado de trabalho:

As aulas são resultado de um projeto-piloto criado através de convênio para beneficiar, inicialmente, 25 jovens que estão em abrigos, liberdade assistida ou semiliberdade e fazem parte da Central de Aprendizagem. Os adolescentes estão sendo preparados para o mercado de trabalho assistindo aulas três vezes por semana na Escola de Administração Judiciária (Esaj). Todos recebem transporte, lanche e material didático gratuito.

A Amil buscou consultoria externa com o Instituto Ser Mais. O programa inicial do instituto foi sintetizado e consolidado para atender as necessidades desta primeira turma. A intenção é que outras turmas sejam criadas após a formatura desses jovens, que continuam a ser acompanhados após o término das aulas:

- Nós acompanhamos esses jovens porque queremos saber como estão, se estão estudando, frequentando outro curso, se conseguiram emprego etc – afirma Simone Masson.