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Dia da Justiça no TJRJ: culto ecumênico, inauguração de retrato e entrega de medalhas

Notícia publicada pela Assessoria de Imprensa em 2017-12-08 15:47:00.816

Um culto ecumênico foi realizado na manhã de hoje, no Foyer do 10º andar do TJRJ, em comemoração ao Dia da Justiça, com a participação de representantes das religiões católica, judaica, espírita e evangélica. O desembargador aposentado Ademir Pimentel comandou a cerimônia, que contou com a participação do Coral dos Amigos do Tribunal de Justiça (Comterj).

O rabino Dario Bialer foi a o primeiro a falar e observou que “não podemos nem devemos perder a esperança de vermos um mundo mais justo e mais humano. Ele ressaltou a importância dos cultos ecumênicos e acrescentou:

- O segredo do encontro não é todos falarem a mesma língua. Não quero um mundo em que se apaguem as diferenças. O segredo está em ser capaz de falar a língua do outro, oque significa sair da zona de conforto, dar o meu melhor para atender o outro e me enriquecer com essa troca.”

O juiz Hildebrando da Costa Marques, do grupo evangélico do TJRJ, falou sobre autoridade e frisou: “Toda autoridade vem de Deus”. Ele citou parte de um texto bíblico que fala sobre os magistrados:

- Não é preciso temer a magistratura, basta fazer o bem.

Ao desembargador Carlos José Martins coube representar a doutrina espírita. Ele lembrou que o Brasil é uma pátria aberta a todas as nacionalidades. Em seguida, citou trecho do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, e encerrou:

- Queremos deixar nossa reflexão de que somente Deus é a base de uma sociedade mais feliz, Jesus define Deus como pai e é esse pai quem nos governa a todos. Só seremos verdadeiramente emancipados se tivermos em nossos corações a convicção de que, acima de todos, pairam sempre as convicções e a Justiça de Deus.

Coube ao monsenhor Sérgio Couto representar a religião católica. Ele citou uma frase do Papa Paulo VI sobre o combate do mal com a prática do bem e ressaltou que “é errado ver o demônio em toda parte e também não vê-lo em lugar algum.” Lembrou que “aquele que incompatibiliza com Deus, se incompatibiliza com os homens” e terminou desejando feliz Natal para todos:

- Que possamos fazer uma festa em família. Reajamos à deturpação do Natal. Desejo que o Natal represente o nascimento de Jesus em nossos corações.

Logo após o culto ecumênico,  foi inaugurado o retrato do desembargador Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho na Galeria de Retratos dos Presidentes do Tribunal de Justiça. Ele exerceu o cargo no biênio 2015/2016. O presidente do TJRJ, Milton Fernandes de Souza, abriu a solenidade, ressaltando ser muito bom comemorar o Dia da Justiça homenageando pessoas que deram grande parte de sua vida para que o Judiciário pudesse exercer sua função de apaziguador, como o desembargador Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho:

- Ele se dedicou à magistratura, ao Tribunal de Justiça e ao poder Judiciário, ou seja, se dedicou à sociedade.

 Além do presidente Milton Fernandes, compuseram o dispositivo de honra para descerrar o retrato a sua esposa, Doris Merz Fernandes de Souza, e a do homenageado, Eliana Oliveira de Carvalho, que recebeu flores da esposa do presidente do TJRJ.

- Estamos hoje celebrando o Dia da Justiça. Este é um momento de confraternização de todos os que participam do Poder Judiciário e da cultura de jurídica.

O desembargador citou Ghandi e sua doutrina de não violência e o poeta Thiago de Mello:

- Não somos melhores nem piores. Somos iguais. Melhor é a nossa causa.

Também em comemoração ao Dia da Justiça foi realizada cerimônia de entrega das condecorações do Colar do Mérito Judiciário a autoridades civis e militares e a três servidores do TJRJ. O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Milton Fernandes de Souza, iniciou seu discurso ressaltando que “o Poder Judiciário para o Brasil está exercendo um papel fundamental em tempso de ajuste da sociedade. E esse ajuste tem que ser sério, tranquilo e equilibrado” e citou São Tomás de Aquino ao resgatar os pensamentos de Aristóteles: “Dai a cada um o que é seu. É assim que o Poder judiciário tem que agir e está agindo. Não é a administração: é o Poder Judiciário.”

Em seguida, o Corregedor-Geral da Justiça, desembargador Claudio de Mello Tavares, falou sobre a importância da entrega do Colar do Mérito Judiciário a 23 agraciados ente ano:

- A homenagem tem por escopo reconhecer os méritos excepcionais de cada um dos agraciados e suas relevantes contribuições para o país em suas respectivas áreas de atuação, estreitando com eles um vínculo de cooperação. É a mais significativa dentre as láureas que o ritualismo desta Corte pode conferir a alguém.

O desembargador citou o Papa Francisco (“Só no juiz a Justiça se reconhece como a primeira qualidade da sociedade, que tem de ser recuperada contra a tendência cada vez mais forte para fragilizar a figura do juiz”), o jurista alemão Rudolf Vom Ihering ( O Direito não é uma pura teoria. Por isso, a Justiça sustenta em uma das mãos a balança em que pesa o direito e, na outra, a espada que serve para o defender. A espada sem a balança pe a força bruta; a balança sem a espada é a impotência do direito.” E prosseguiu:

- Em nossa sociedade tão desigual, precisamos de pessoas que assumam o papel de semeador de mudanças e renovador de esperanças ensinando-nos que cada objetivo alcançado e cada realização são sempre pontos de partida para novos desafios e que onde há uma vontade há um caminho. Rejeitemos, por princípio, a indiferença, destruidora de almas e sério óbice à construção da cidadania, salientando não haver distância entre a indiferença e a omissão. É certo que vivemos todos sob o mesmo céu, mas nem todos veem o mesmo horizonte. É o olhar que faz o horizonte, e é por isso que os senhores não enxergam fronteiras quando erguem a vista.

O jurista Rui Barbosa também foi citado: “ O saber não está na ciência alheia, que se absorve, mas, principalmente, nas ideias próprias, que se geram dos conhecimentos absorvidos, mediante transmutação, por que passam, no espírito que os assimila. Um sabedor não é armário de sabedoria armazenada, mas transformador reflexivo de aquisições digeridas.”

Após destacar peculiaridades das personalidades e condutas dos homenageados, como capacidade intelectual, férrea determinação e o firme compromisso com a construção de um país melhor e mais justo, além de amor por seus semelhantes, o Corregedor-Geral da Justiça concluiu:

- Os piores males que afligem o Brasil hoje decorrem de comportamentos eticamente censuráveis de muitos dos que se dedicaram à vida pública. A ausência de ética compromete, a longo prazo, a própria sobrevivência de nossa sociedade (...) a adoção generalizada de comportamentos contrários à ética termina por fragmentar o tecido social e comprometer o futuro da coletividade. É crucial, então, resgatar a ética na vida pública do Brasil. Em razão disso,a conduta impecável dos homenageados, além de todas as suas demais realizações pessoais, profissionais e humanitárias, é a maior contribuição que poderiam dar ao nosso país. (...) Façamos deste ato solene um pretexto para espalharmos o bem inspirados nos exemplos de vida dos homenageados, porquanto a justiça, como valor supremo, deve ser cultuada. Somos meros partícipes desta missão tão elevada.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim, participou da solenidade de entrega das medalhas:

- Trago o aplauso e a admiração do governo federal ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro é o laboratório da esperança e da certeza de que a lei sempre prevalecerá em primeiro lugar.

A solenidade foi encerrada pelo presidente do TJRJ, desembargador Milton Fernandes de Souza, que citou um trecho de uma oração de São Tomás de Aquino dizendo serem essas as características dos homenageados: “Fazei-me, meu Deus, humilde sem simulação, alegre sem dissipação, sério sem depressão, oportuno sem opressão,  ágil sem frivolidade, veraz sem duplicidade, temendo-Vos sem desesperação, confiante sem presunção, corrigindo o próximo sem pretensão, edificando-o pela palavra e pelo exemplo, sem ostentação; obediente sem contradição, paciente sem murmuração.”